Estudo revela que a leitura melhora o processamento de estímulos visuais
Estudo realizado em letrados, iletrados e ex-iletrados.
Identificaram-se, pela primeira vez, imagens detalhadas do impacto da aprendizagem da leitura no cérebro. Segundo o trabalho desenvolvido por diferentes equipas internacionais - onde se incluem dois cientistas portugueses -, “aprender a ler, mesmo na idade adulta, é uma experiência tão importante para o cérebro que ele redistribui alguns dos seus recursos, obrigando outras funções, como o reconhecimento facial, a abrir mão de parte da sua gleba”. Os resultados da investigação são publicados hoje, on-line, na revista «Science».
Os investigadores, coordenados por Stanislas Dehaene, director da Unidade de Neuro- imagiologia Cognitiva do Inserm-CEA (França) e Laurent Cohen, da mesma estrutura, levaram a cabo o estudo com diferentes cientistas das universidades de Paris-Sul e Pierre e Marie Currie, entre outras, assim como com equipas portuguesas, brasileiras e belgas.
Paulo Ventura, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (UL) que participou na investigação, avançou ao «Ciência Hoje», que para experiência, mediram “a actividade cerebral de 63 participantes – de nacionalidade portuguesa e brasileira – divididos em três grupos: letrados (31), iletrados (dez) e ex-iletrados (22 pessoas que não frequentaram a escola com a idade normal e aprenderam a ler em adultos) através de Ressonância Magnética funcional (fMRI)”.
Paulo Ventura
E, comparando a actividade cerebral dos adultos analfabetos com a dos alfabetizados desde a infância ou em idade avançada, os resultados demonstraram que “existe uma actividade massiva resultante da leitura, tanto nas regiões visuais do cérebro como nas que são utilizadas para a linguagem falada”, explicou o cientista.
O investigador da UL sublinhou ainda que “é fundamental percebermos que uma aprendizagem cultural como a leitura tem um impacto muito grande sobre as respostas que o cérebro vai dar, quer sobre a informação escrita quer sobre a falada, e essas modificações podem ocorrer em qualquer idade”.
Uma das razões que leva a relevar a importância deste trabalho é o facto de a escrita ser “uma invenção demasiado recente para ter sido influenciada pela evolução genética humana”, e isso significa que o cérebro “já tinha áreas específicas preparadas para tratar a linguagem escrita e que todos temos zonas cerebrais que nos permitem desenvolver a leitura”, asseverou igualmente Paulo Ventura.
Competição nos hemisférios
José de Morais, outro investigador português, mas integrado na equipa belga (Universidade Livre de Bruxelas), explicou que “aquilo que à primeira vista não deveria ocorrer – modificações no córtex auditivo do iletrado, por falarem e perceberem a fala –, acontece também e verificam-se alterações na região do córtex temporal quando há tratamento fonológico, embora não seja feito da mesma forma”. Ou seja, os analfabetos “têm igualmente uma representação da fala, apesar de ser menos consciente”.
José de MoraisMais importante para este investigador é perceber que “a estrutura já existia”, mas tinha “outra função” e, aquando da aprendizagem, “passa simplesmente a identifica palavras.” Neste caso, ocorre “uma espécie de ‘reciclagem’ das zonas cerebrais pré-existentes e dedicadas a outras funções” que se dedicará posteriormente a identificar símbolos da escrita e a liga-los com a linguagem falada.
No entanto, este aspecto levantou uma questão: «Será que existem consequências e que outras habilidades são afectadas?» José de Morais respondeu que sim e sustentou que “há uma espécie de estreitamento do hemisfério esquerdo – responsável pelo reconhecimento visual (rostos) – e dá-se uma passagem para o direito”. O investigador referiu ainda que ocorre uma “competição entre o tratamento das palavras escritas e o reconhecimento de caras”.
As conclusões mostram portanto que a leitura melhora o processamento de estímulos visuais orientados horizontalmente no córtex occipital e também conduz ao aparecimento de uma área especializada para palavras no córtex temporal.
A investigação englobou, paralelamente, populações brasileiras e portuguesas por serem de países onde, há dezenas de anos, era frequente as crianças não poderem ir à escola por estarem num ambiente social relativamente isolado e rural. Todos os voluntários incluídos eram pessoas socialmente bem integradas, de boa saúde e a maioria com emprego. A experiência foi realizada com fMRI, de ressonância 3 Tesla, no Centro NeuroSpin (Saclay, França) no caso dos portugueses e no Centro de Investigação em Neurociências do Hospital Sarah Lago (Brasil) para o segundo grupo.
A vida que está por vir é muito mais importante do que aquela que ficou no passado. A estrada para o sucesso está sempre em construção. A vida não é um problema a ser resolvido, mas sim uma realidade para ser apreciada. Deixe para trás aquilo que não te leva para a frente
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Cientistas brasileiros consertam 'neurônio autista' em laboratório
Ainda falta muito para recuperar cérebro inteiro, diz pesquisador.
Estudo mostra base biológica de doença altamente estigmatizada.
O biólogo molecular e colunista do G1 Alysson Muotri e cientistas brasileiros conseguiram transformar neurônios de portadores de um tipo de autismo conhecido como Síndrome de Rett em células saudáveis. Trabalhando nos Estados Unidos, os pesquisadores mostraram, pela primeira vez, que é possível reverter os efeitos da doença no nível neuronal, porém os remédios testados no experimento, realizado em laborátorio, ainda não podem ser usados em pessoas com segurança.
Muotri, pós-doutor em neurociência e células-tronco no Instituto Salk de Pesquisas Biológicas (EUA) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, trabalhou com os também brasileiros Cassiano Carromeu e Carol Marchetto. O estudo sai na edição de sexta-feira (12) da revista científica internacional “Cell”.
Para analisar diferenças entre os neurônios, a equipe fez uma biópsia de pele de pacientes autistas e de pessoas sem a condição. Depois, reprogramou as células da pele em células de pluripotência induzida (iPS) – idênticas às células-tronco embrionárias, mas não extraídas de embriões. “Pluripotência” é a capacidade de toda célula-tronco de se especializar, ou diferenciar, em qualquer célula do corpo.
A reprogramação genética de células adultas é feita por meio da introdução de genes. Eles funcionam como um software que reformata as células, deixando-as como se fossem de um embrião. Assim, as iPS também podem dar origem a células de todos os tipos, o que inclui neurônios.
Como os genomas dessas iPS vieram tanto de portadores de autismo como de não portadores, no final o trio de cientistas obteve neurônios autistas e neurônios saudáveis.
Comparação, conserto e limitações
Comparando os dois tipos, o grupo verificou que o núcleo dos neurônios autistas e o número de “espinhas”, as ramificações que atuam nas sinapses – contato entre neurônios, onde ocorre a transmissão de impulsos nervosos de uma célula para outra – é menor.
Identificados os defeitos, o trio experimentou duas drogas para “consertar” os neurônios autistas: fator de crescimento insulínico tipo 1 (IGF-1, na sigla em inglês) e gentamicina. Tanto com uma substância quanto com a outra, os neurônios autistas passaram a se comportar como se fossem normais.
“É possível reverter neurônios autistas para um estado normal, ou seja, o estado autista não é permanente”, diz Muotri, que escreve no blog Espiral. “Isso é fantástico, traz a esperança de que a cura é possível. Além disso, ao usamos neurônios semelhantes aos embrionários, mostramos que dá para fazer isso antes de os sintomas aparecerem.”
Os resultados promissores, porém, configuram o que é chamado no meio científico de “prova de princípio”. “Mostramos que a síndrome pode ser revertida. Mas reverter um cérebro inteiro, já formado, vai com certeza ser bem mais complexo do que fazer isso com neurônios numa placa de petri [recipiente usado em laboratório para o cultivo de micro-organismos]”, explica o pesquisador.
Entre as barreiras que impedem a aplicação prática imediata da descoberta está a incapacidade do IGF-1 de chegar ao alvo. “O fator, quando administrado via oral ou pela veia, acaba indo muito pouco ao cérebro. Existe uma barreira [hematocefálica] que proteje o cérebro, filtrando ingredientes essenciais e evitando um ataque viral, por exemplo. O IGF-1 é uma molécula grande, que acaba sendo filtrada por essa barreira”, afirma Muotri. “Temos de alterar quimicamente o IGF-1 para deixá-lo mais penetrante.” Além disso, tanto o fator quanto a gentamicina são drogas não específicas, portanto causariam efeitos colaterais tóxicos se aplicadas em tratamentos com humanos.
Síndrome de Rett
O foco do estudo foi a chamada Síndrome de Rett, uma doença neurológica que faz parte do leque dos autismos. “Leque” porque o autismo não é uma doença única, mas um grupo de diversas enfermidades que têm em comum duas características bastante conhecidas: deficiências no contato social e comportamento repetitivo.
No caso dos portadores de Rett, há um desenvolvimento normal até algo em torno de seis meses a um ano e meio de idade. Mas então começa uma regressão. Além das características autistas típicas, neste caso bem acentuadas, eles vão perdendo coordenação motora e rigidez muscular.
Essa síndrome foi escolhida para o trabalho de Muotri, Carromeu e Marchetto porque tem uma causa genética clara – mutações no gene MeCP2 – e porque afeta os neurônios de forma mais acentuada, facilitando comparações e verificações de reversão.
“Talvez a implicação mais importante desse nosso trabalho é o fato de que os neurônios derivados de pessoas com autismo mostraram alterações independentemente de outros fatores. Isso indica que o defeito foi autônomo. Por isso, esse dado deve contribuir para reduzir o estigma associado a doenças mentais”, comemora Muotri. “Você não fica autista porque sua mãe não te deu o amor necessário ou porque seus pais foram ruins.”
Utilidade das iPS
Lygia da Veiga Pereira, doutora em Ciências Biomédicas e chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LaNCE) da USP, saudou a pesquisa: "É mais um trabalho que mostra a enorme utilidade das células iPS, não como fonte de tecido para terapia celular, mas como modelo para pesquisa básica, para entender os mecanismos moleculares por trás de diferentes doenças que tenham forte base genética."
Lygia faz uma ressalva sobre as características muito específicas da Síndrome de Rett. Como a disfunção é exclusivamente associada a uma mutação genética, ficam de fora os fatores ambientais que desencadeiam o autismo.
Ainda segundo a especialista, os resultados obtidos por Muotri também realçam "o que brasileiros podem fazer trabalhando com infraestrutura e agilidade para conseguir reagentes, por exemplo, e interagindo com uma comunidade científica de grande massa crítica".
Estudo mostra base biológica de doença altamente estigmatizada.
O biólogo molecular e colunista do G1 Alysson Muotri e cientistas brasileiros conseguiram transformar neurônios de portadores de um tipo de autismo conhecido como Síndrome de Rett em células saudáveis. Trabalhando nos Estados Unidos, os pesquisadores mostraram, pela primeira vez, que é possível reverter os efeitos da doença no nível neuronal, porém os remédios testados no experimento, realizado em laborátorio, ainda não podem ser usados em pessoas com segurança.
Muotri, pós-doutor em neurociência e células-tronco no Instituto Salk de Pesquisas Biológicas (EUA) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, trabalhou com os também brasileiros Cassiano Carromeu e Carol Marchetto. O estudo sai na edição de sexta-feira (12) da revista científica internacional “Cell”.
Para analisar diferenças entre os neurônios, a equipe fez uma biópsia de pele de pacientes autistas e de pessoas sem a condição. Depois, reprogramou as células da pele em células de pluripotência induzida (iPS) – idênticas às células-tronco embrionárias, mas não extraídas de embriões. “Pluripotência” é a capacidade de toda célula-tronco de se especializar, ou diferenciar, em qualquer célula do corpo.
A reprogramação genética de células adultas é feita por meio da introdução de genes. Eles funcionam como um software que reformata as células, deixando-as como se fossem de um embrião. Assim, as iPS também podem dar origem a células de todos os tipos, o que inclui neurônios.
Como os genomas dessas iPS vieram tanto de portadores de autismo como de não portadores, no final o trio de cientistas obteve neurônios autistas e neurônios saudáveis.
Comparação, conserto e limitações
Comparando os dois tipos, o grupo verificou que o núcleo dos neurônios autistas e o número de “espinhas”, as ramificações que atuam nas sinapses – contato entre neurônios, onde ocorre a transmissão de impulsos nervosos de uma célula para outra – é menor.
Identificados os defeitos, o trio experimentou duas drogas para “consertar” os neurônios autistas: fator de crescimento insulínico tipo 1 (IGF-1, na sigla em inglês) e gentamicina. Tanto com uma substância quanto com a outra, os neurônios autistas passaram a se comportar como se fossem normais.
“É possível reverter neurônios autistas para um estado normal, ou seja, o estado autista não é permanente”, diz Muotri, que escreve no blog Espiral. “Isso é fantástico, traz a esperança de que a cura é possível. Além disso, ao usamos neurônios semelhantes aos embrionários, mostramos que dá para fazer isso antes de os sintomas aparecerem.”
Os resultados promissores, porém, configuram o que é chamado no meio científico de “prova de princípio”. “Mostramos que a síndrome pode ser revertida. Mas reverter um cérebro inteiro, já formado, vai com certeza ser bem mais complexo do que fazer isso com neurônios numa placa de petri [recipiente usado em laboratório para o cultivo de micro-organismos]”, explica o pesquisador.
Entre as barreiras que impedem a aplicação prática imediata da descoberta está a incapacidade do IGF-1 de chegar ao alvo. “O fator, quando administrado via oral ou pela veia, acaba indo muito pouco ao cérebro. Existe uma barreira [hematocefálica] que proteje o cérebro, filtrando ingredientes essenciais e evitando um ataque viral, por exemplo. O IGF-1 é uma molécula grande, que acaba sendo filtrada por essa barreira”, afirma Muotri. “Temos de alterar quimicamente o IGF-1 para deixá-lo mais penetrante.” Além disso, tanto o fator quanto a gentamicina são drogas não específicas, portanto causariam efeitos colaterais tóxicos se aplicadas em tratamentos com humanos.
Síndrome de Rett
O foco do estudo foi a chamada Síndrome de Rett, uma doença neurológica que faz parte do leque dos autismos. “Leque” porque o autismo não é uma doença única, mas um grupo de diversas enfermidades que têm em comum duas características bastante conhecidas: deficiências no contato social e comportamento repetitivo.
No caso dos portadores de Rett, há um desenvolvimento normal até algo em torno de seis meses a um ano e meio de idade. Mas então começa uma regressão. Além das características autistas típicas, neste caso bem acentuadas, eles vão perdendo coordenação motora e rigidez muscular.
Essa síndrome foi escolhida para o trabalho de Muotri, Carromeu e Marchetto porque tem uma causa genética clara – mutações no gene MeCP2 – e porque afeta os neurônios de forma mais acentuada, facilitando comparações e verificações de reversão.
“Talvez a implicação mais importante desse nosso trabalho é o fato de que os neurônios derivados de pessoas com autismo mostraram alterações independentemente de outros fatores. Isso indica que o defeito foi autônomo. Por isso, esse dado deve contribuir para reduzir o estigma associado a doenças mentais”, comemora Muotri. “Você não fica autista porque sua mãe não te deu o amor necessário ou porque seus pais foram ruins.”
Utilidade das iPS
Lygia da Veiga Pereira, doutora em Ciências Biomédicas e chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LaNCE) da USP, saudou a pesquisa: "É mais um trabalho que mostra a enorme utilidade das células iPS, não como fonte de tecido para terapia celular, mas como modelo para pesquisa básica, para entender os mecanismos moleculares por trás de diferentes doenças que tenham forte base genética."
Lygia faz uma ressalva sobre as características muito específicas da Síndrome de Rett. Como a disfunção é exclusivamente associada a uma mutação genética, ficam de fora os fatores ambientais que desencadeiam o autismo.
Ainda segundo a especialista, os resultados obtidos por Muotri também realçam "o que brasileiros podem fazer trabalhando com infraestrutura e agilidade para conseguir reagentes, por exemplo, e interagindo com uma comunidade científica de grande massa crítica".
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Agresão as nossas crianças!
Um Bom dia a todos meus amigos!
Venho hoje abordar um assunto que está semana tomou conta de todos os meios de comunicação (agressões a crianças).
De inicio já me desculpo se minhas palavras até certo ponto forem mal interpretadas.
Vamos analisar a situação como de fato ela é!
Sinto-me pequena e infeliz o suficiente quando vejo monstros agredirem seres que dentro se sua incapacidade é capaz de amar com capacidade até superior as nossas. Essas crianças estão deixando de ser protegidas por aqueles que por obrigação ou escolha (no caso dos profissionais) tinham que a defender, mais o contrário está sendo feito!
Abordar os valores familiares nesse aspecto acho muito pouco e invalido, por que quando somos vitimas de pais ausentes de sentimentos ou amor ( que é o meu caso) depositamos o imenso amor que nos fez falta por todo o tempo que queríamos ter tido, aos nossos filhos. E mesmo tendo a certeza do amor maior ainda nos questionamos se é o suficiente.
Não acho justo que médicos justifiquem distúrbios pra soltura desses meliantes. São criminosos da pior espécies ( por abusar e agredir de CRIANÇAS que não tem defesa).
Geramos nossos filhos e criamos no aconchego dos nossos braços, sobre nosso peito, dividimos com eles todos os bons momentos desde a mais linda declaração de amor e promessas que será sempre protegido que ele nunca tenha medo até os mais simples olhares que dizem tudo que precisamos saber. Pra bandidos, monstros, amedrontarem. Enquanto depositamos nossa confiança a eles pra cuidarem fazer de fato nosso papel ( ou o mais parecido possível) enquanto estamos ausêntes nos devolvem maldades, traumas, angustias e o pior de todos os sentimento Ódio.
Grito por justiça seja ela de qual quer forma, que um monstro desses pague pela agressão e sirva de exemplo pra muitos antes de praticarem o ato.
É imperdoável que os MEUS e os SEUS filhos sejam agredidos, humilhados, machucados no corpo e na alma... Por quem quer que seja!
Olhemos nossas crianças sempre mais e com cuidado dobrado e atenção.
E Em caso de suspeita DENUNCIE. Grite por justiça e lute com toda sua força pra que ele seja punido. Não se intimide Jamais. Mesmo que seja alguêm que você não esperava como seu companheiro por exemplo.
ESTOU FALANDO DE NOSSOS FILHOS!!!!
Venho hoje abordar um assunto que está semana tomou conta de todos os meios de comunicação (agressões a crianças).
De inicio já me desculpo se minhas palavras até certo ponto forem mal interpretadas.
Vamos analisar a situação como de fato ela é!
Sinto-me pequena e infeliz o suficiente quando vejo monstros agredirem seres que dentro se sua incapacidade é capaz de amar com capacidade até superior as nossas. Essas crianças estão deixando de ser protegidas por aqueles que por obrigação ou escolha (no caso dos profissionais) tinham que a defender, mais o contrário está sendo feito!
Abordar os valores familiares nesse aspecto acho muito pouco e invalido, por que quando somos vitimas de pais ausentes de sentimentos ou amor ( que é o meu caso) depositamos o imenso amor que nos fez falta por todo o tempo que queríamos ter tido, aos nossos filhos. E mesmo tendo a certeza do amor maior ainda nos questionamos se é o suficiente.
Não acho justo que médicos justifiquem distúrbios pra soltura desses meliantes. São criminosos da pior espécies ( por abusar e agredir de CRIANÇAS que não tem defesa).
Geramos nossos filhos e criamos no aconchego dos nossos braços, sobre nosso peito, dividimos com eles todos os bons momentos desde a mais linda declaração de amor e promessas que será sempre protegido que ele nunca tenha medo até os mais simples olhares que dizem tudo que precisamos saber. Pra bandidos, monstros, amedrontarem. Enquanto depositamos nossa confiança a eles pra cuidarem fazer de fato nosso papel ( ou o mais parecido possível) enquanto estamos ausêntes nos devolvem maldades, traumas, angustias e o pior de todos os sentimento Ódio.
Grito por justiça seja ela de qual quer forma, que um monstro desses pague pela agressão e sirva de exemplo pra muitos antes de praticarem o ato.
É imperdoável que os MEUS e os SEUS filhos sejam agredidos, humilhados, machucados no corpo e na alma... Por quem quer que seja!
Olhemos nossas crianças sempre mais e com cuidado dobrado e atenção.
E Em caso de suspeita DENUNCIE. Grite por justiça e lute com toda sua força pra que ele seja punido. Não se intimide Jamais. Mesmo que seja alguêm que você não esperava como seu companheiro por exemplo.
ESTOU FALANDO DE NOSSOS FILHOS!!!!
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Filme Ocean Heaven
( Para o download é só clicar no nome do filme "Ocean Heaven" e o seu download começa pelo Depositfiles)
Sinopse do Filme Ocean Heaven
A história do amor incansável de um pai pelo seu filho autista. Uma pessoa em cada mil nasce com autismo. Como consequência, a China tem 1 milhão de pacientes autistas. Dafu é um deles: parece distraído, repete o que as pessoas lhe dizem, nada com maestria, mantém tudo em casa em lugares determinados e talvez não esteja totalmente ciente da morte de sua mãe, ocorrida há alguns anos.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Recém-nascidos com icterícia têm mais risco de autismo
O risco de autismo é maior para crianças que sofrem de icterícia nascidas entre outubro e março e de mães que já tiveram filhos
Recém-nascidos que sofrem de icterícia têm um risco maior de sofrer autismo, demonstra um estudo realizado na Universidade de Aarhus (Dinamarca) publicado na revista Pediatrics. Os cientistas detectaram que crianças nascidas na Dinamarca entre 1994 e 2004 e sofriam de icterícia, tinham uma chance 67% maior de desenvolver o autismo.
A icterícia do recém-nascido é provocada geralmente por uma produção excessiva de bilirrubina, uma substância produzida durante a destruição de glóbulos vermelhos pelo organismo. A doença faz com que a pele e os olhos fiquem amarelados. Os pesquisadores dinamarqueses descobriram que o risco de autismo é maior para crianças que sofrem de icterícia nascidas entre outubro e março e de mães que já tiveram filhos. Nesses casos, o risco chega a ser três vezes maior. Em crianças nascidas entre abril e setembro ou de mães que nunca tiveram filhos, os cientistas não encontraram nenhuma associação entre a as duas doenças.
Apesar de os dados estatísticos da pesquisa dinamarquesa mostrarem uma relação entre a icterícia e o autismo, os resultados do estudo não devem ser motivo de preocupação para os pais. "Os resultados precisam ser reproduzidos em outras partes do mundo", disse o neurologista americano Max Wiznitzer em entrevista à rede americana CNN. O médico afirma que é possível que existam fatores regionais que não se manifestariam em outros lugares.
No total, 60% das crianças recém-nascidas padecem de icterícia, e o fenômeno é reabsorvido naturalmente após algumas semanas, mas uma exposição prolongada a taxas elevadas de bilirrubina é neurotóxica e pode provocar problemas de desenvolvimento a longo prazo.
Recém-nascidos que sofrem de icterícia têm um risco maior de sofrer autismo, demonstra um estudo realizado na Universidade de Aarhus (Dinamarca) publicado na revista Pediatrics. Os cientistas detectaram que crianças nascidas na Dinamarca entre 1994 e 2004 e sofriam de icterícia, tinham uma chance 67% maior de desenvolver o autismo.
A icterícia do recém-nascido é provocada geralmente por uma produção excessiva de bilirrubina, uma substância produzida durante a destruição de glóbulos vermelhos pelo organismo. A doença faz com que a pele e os olhos fiquem amarelados. Os pesquisadores dinamarqueses descobriram que o risco de autismo é maior para crianças que sofrem de icterícia nascidas entre outubro e março e de mães que já tiveram filhos. Nesses casos, o risco chega a ser três vezes maior. Em crianças nascidas entre abril e setembro ou de mães que nunca tiveram filhos, os cientistas não encontraram nenhuma associação entre a as duas doenças.
Apesar de os dados estatísticos da pesquisa dinamarquesa mostrarem uma relação entre a icterícia e o autismo, os resultados do estudo não devem ser motivo de preocupação para os pais. "Os resultados precisam ser reproduzidos em outras partes do mundo", disse o neurologista americano Max Wiznitzer em entrevista à rede americana CNN. O médico afirma que é possível que existam fatores regionais que não se manifestariam em outros lugares.
No total, 60% das crianças recém-nascidas padecem de icterícia, e o fenômeno é reabsorvido naturalmente após algumas semanas, mas uma exposição prolongada a taxas elevadas de bilirrubina é neurotóxica e pode provocar problemas de desenvolvimento a longo prazo.
Déficit de atenção pode ser causado por falha genética
Mas cientistas ainda divergem sobre o quanto o ambiente infantil influencia
Crianças que sofrem de transtorno de déficit de atenção (TDAH) podem apresentar uma variação genética rara que seria a responsável pela doença. Uma pesquisa recente da Cardiff University, na Inglaterra, analisou 366 pequenos pacientes e constatou essa deficiência em 15% delas.
“Elas têm uma taxa maior de pedaços de DNA duplicados ou faltando”, explica a pesquisadora Anita Thapar, que coordenou a equipe. Para ela, os resultados do estudo podem acabar com o estigma que a doença enfrenta há décadas. “Há muita confusão sobre esse transtorno. Algumas pessoas acreditam que não é nem mesmo uma condição real, mas apenas o resultado de uma má educação oferecida pelos pais”, salienta.
Esta pesquisa publicada no jornal britânico The Lancet, porém, apresenta um ponto que levantou polêmica entre os cientistas: ela desconsidera a influência do ambiente sobre a criança - como o excesso de cortisol no organismo da gestante nos últimos meses de gravidez -, comparando a doença a um problema cerebral qualquer, como o autismo, que tem causas puramente genéticas comprovadas.
Críticos como Tim Kendall, diretor da National Collaboratng Centre for Mental Health, destacam que apagar os demais fatores da lista de possíveis causas pode prejudicar o tratamento. “É importante que isso não nos leve a pensar que o transtorno é um problema meramente biológico. Porque, assim, teremos apenas os tratamentos biológicos, como o uso da medicação Ritalina”, disse em entrevista à rede britânica BBC.
Crianças que sofrem de transtorno de déficit de atenção (TDAH) podem apresentar uma variação genética rara que seria a responsável pela doença. Uma pesquisa recente da Cardiff University, na Inglaterra, analisou 366 pequenos pacientes e constatou essa deficiência em 15% delas.
“Elas têm uma taxa maior de pedaços de DNA duplicados ou faltando”, explica a pesquisadora Anita Thapar, que coordenou a equipe. Para ela, os resultados do estudo podem acabar com o estigma que a doença enfrenta há décadas. “Há muita confusão sobre esse transtorno. Algumas pessoas acreditam que não é nem mesmo uma condição real, mas apenas o resultado de uma má educação oferecida pelos pais”, salienta.
Esta pesquisa publicada no jornal britânico The Lancet, porém, apresenta um ponto que levantou polêmica entre os cientistas: ela desconsidera a influência do ambiente sobre a criança - como o excesso de cortisol no organismo da gestante nos últimos meses de gravidez -, comparando a doença a um problema cerebral qualquer, como o autismo, que tem causas puramente genéticas comprovadas.
Críticos como Tim Kendall, diretor da National Collaboratng Centre for Mental Health, destacam que apagar os demais fatores da lista de possíveis causas pode prejudicar o tratamento. “É importante que isso não nos leve a pensar que o transtorno é um problema meramente biológico. Porque, assim, teremos apenas os tratamentos biológicos, como o uso da medicação Ritalina”, disse em entrevista à rede britânica BBC.
Meditação ajuda a fortalecer o sistema imunológico
Estudo da Universidade da Califórnia prova que a prática intensifica a atividade da enzima telomerase, que atua na defesa do organismo
Técnica milenar oriental, a meditação é conhecida por aumentar a concentração e proporcionar relaxamento. De acordo com estudo da Universidade da Califórnia, durante a meditação, a enzima telomerase (ligada ao sistema imunológico) tem sua ação intensificada. Resultado: quem medita, tem suas defesas ampliadas e passa a lidar melhor com o stress.
Mas a meditação sozinha não resolve. "Por si só, ela não aumenta a atividade da telomerase", diz Clifford Saron, líder do estudo. Segundo ele, a meditação é apenas um dos mecanismos usados pelo corpo para aumentar o bem-estar psicológico do indivíduo. E é esse estado – e não o ato de meditar em si – que age diretamente sobre a atividade da telomerase nas células do sistema imunológico, que são as reais responsáveis por promover a longevidade nas células. "Atividades que aumentam a qualidade de vida podem ter efeitos profundos no organismo de uma pessoa", diz Saron.
Para chegar aos resultados, a equipe de cientistas analisou sessenta pacientes durante três meses: metade praticou a meditação; os outros trinta, não, atuando apenas como grupo de controle da pesquisa. As taxas da telomerase se mostraram cerca de 30% mais elevadas nas células do sistema imunológico dos voluntários que meditavam. Foram esses pacientes que apresentaram, ainda, um aumento nas capacidades psíquicas, como melhora na percepção de controle (sobre a própria vida e arredores), atenção e nos propósitos da vida (sentido de vida e metas a longo prazo). Além disso, eles experimentaram diminuição da neurose ou das emoções negativas.
Nobel - Co-autora do estudo, o primeiro a relacionar telomerase e meditação, Elizabeth Blackburn ganhou o prêmio Nobel de Medicina em 2009 pela descoberta da telomerase e dos telômeros, sequências do DNA que ficam no final dos cromossomos e tendem a se encurtar toda vez que uma célula se divide. Mas, sempre que a medida dos telômeros fica baixa, a célula tende a não se dividir mais e pode, eventualmente, morrer. É aí que entra a telomerase. A enzima é capaz de reconstruir o tamanho de um telômero, impedindo que ele entre em colapso. Estudos anteriores já apontavam a telomerase como o elo entre o stress psicológico e a saúde física.
Técnica milenar oriental, a meditação é conhecida por aumentar a concentração e proporcionar relaxamento. De acordo com estudo da Universidade da Califórnia, durante a meditação, a enzima telomerase (ligada ao sistema imunológico) tem sua ação intensificada. Resultado: quem medita, tem suas defesas ampliadas e passa a lidar melhor com o stress.
Mas a meditação sozinha não resolve. "Por si só, ela não aumenta a atividade da telomerase", diz Clifford Saron, líder do estudo. Segundo ele, a meditação é apenas um dos mecanismos usados pelo corpo para aumentar o bem-estar psicológico do indivíduo. E é esse estado – e não o ato de meditar em si – que age diretamente sobre a atividade da telomerase nas células do sistema imunológico, que são as reais responsáveis por promover a longevidade nas células. "Atividades que aumentam a qualidade de vida podem ter efeitos profundos no organismo de uma pessoa", diz Saron.
Para chegar aos resultados, a equipe de cientistas analisou sessenta pacientes durante três meses: metade praticou a meditação; os outros trinta, não, atuando apenas como grupo de controle da pesquisa. As taxas da telomerase se mostraram cerca de 30% mais elevadas nas células do sistema imunológico dos voluntários que meditavam. Foram esses pacientes que apresentaram, ainda, um aumento nas capacidades psíquicas, como melhora na percepção de controle (sobre a própria vida e arredores), atenção e nos propósitos da vida (sentido de vida e metas a longo prazo). Além disso, eles experimentaram diminuição da neurose ou das emoções negativas.
Nobel - Co-autora do estudo, o primeiro a relacionar telomerase e meditação, Elizabeth Blackburn ganhou o prêmio Nobel de Medicina em 2009 pela descoberta da telomerase e dos telômeros, sequências do DNA que ficam no final dos cromossomos e tendem a se encurtar toda vez que uma célula se divide. Mas, sempre que a medida dos telômeros fica baixa, a célula tende a não se dividir mais e pode, eventualmente, morrer. É aí que entra a telomerase. A enzima é capaz de reconstruir o tamanho de um telômero, impedindo que ele entre em colapso. Estudos anteriores já apontavam a telomerase como o elo entre o stress psicológico e a saúde física.
Remédio feito à base de maconha pode chegar ao Brasil
A inglesa GW Pharma, produtora do Sativex, já iniciou conversas com a Anvisa
O Sativex, remédio feito à base de maconha, pode estar a caminho do Brasil. A empresa farmacêutica britânica GW Pharma revelou ao site de VEJA que iniciou discussões com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a possibilidade de vender o medicamento — indicado para tratar sintomas de esclerose múltipla — no país. "Temos um interesse muito grande no mercado brasileiro e gostaríamos de obter a aprovação para o remédio na América do Sul", afirma Mark Rogerson, relações públicas da empresa.
Segundo Rogerson, a intenção da empresa é dar início ao processo formal de aprovação do medicamento. Uma comissão da Anvisa já teria visitado os laboratórios onde o Sativex é produzido, na Inglaterra. A unidade brasileira da Bayer Schering Pharma, que comercializa o remédio na Grã-Bretanha, também afirma que está avaliando a possibilidade de lançar o Sativex no Brasil.
De acordo a legislação brasileira, medicamentos que contenham em sua composição extratos da maconha são proibidos, mas a lei também prevê a hipótese de autorização para casos específicos.
Liberado para venda pela primeira vez em 2005, no Canadá, o Sativex recentemente ganhou autorização para ser comercializado na Espanha, Nova Zelândia e na própria Grã-Bretanha. O medicamento é usado principalmente para tratar a espasticidade, que são os espasmos musculares causados pela degeneração dos nervos que ocorre por causa da esclerose múltipla.
Sativex usa duas substâncias da planta da maconha, o delta9-tetraidrocanabinol e o canabidiol. Essas substâncias ativam os receptores do cérebro que ajudam a diminuir os sintomas dos espasmos. Segundo a empresa, 50% das pessoas que sofrem com os espasmos causados pela esclerose múltipla apresentaram reações positivas ao remédio. "Não temos outro medicamento tão eficiente para tratar dores nervosas", afirma o psicofarmacologista Elisaldo Carlini, de 80 anos, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e estudioso do uso medicinal da maconha desde os anos 50.
A esclerose múltipla atinge 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, não existem dados concretos sobre o número de pacientes no país, mas estima-se que haja ao menos 35.000 casos.
O Sativex, remédio feito à base de maconha, pode estar a caminho do Brasil. A empresa farmacêutica britânica GW Pharma revelou ao site de VEJA que iniciou discussões com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a possibilidade de vender o medicamento — indicado para tratar sintomas de esclerose múltipla — no país. "Temos um interesse muito grande no mercado brasileiro e gostaríamos de obter a aprovação para o remédio na América do Sul", afirma Mark Rogerson, relações públicas da empresa.
Segundo Rogerson, a intenção da empresa é dar início ao processo formal de aprovação do medicamento. Uma comissão da Anvisa já teria visitado os laboratórios onde o Sativex é produzido, na Inglaterra. A unidade brasileira da Bayer Schering Pharma, que comercializa o remédio na Grã-Bretanha, também afirma que está avaliando a possibilidade de lançar o Sativex no Brasil.
De acordo a legislação brasileira, medicamentos que contenham em sua composição extratos da maconha são proibidos, mas a lei também prevê a hipótese de autorização para casos específicos.
Liberado para venda pela primeira vez em 2005, no Canadá, o Sativex recentemente ganhou autorização para ser comercializado na Espanha, Nova Zelândia e na própria Grã-Bretanha. O medicamento é usado principalmente para tratar a espasticidade, que são os espasmos musculares causados pela degeneração dos nervos que ocorre por causa da esclerose múltipla.
Sativex usa duas substâncias da planta da maconha, o delta9-tetraidrocanabinol e o canabidiol. Essas substâncias ativam os receptores do cérebro que ajudam a diminuir os sintomas dos espasmos. Segundo a empresa, 50% das pessoas que sofrem com os espasmos causados pela esclerose múltipla apresentaram reações positivas ao remédio. "Não temos outro medicamento tão eficiente para tratar dores nervosas", afirma o psicofarmacologista Elisaldo Carlini, de 80 anos, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e estudioso do uso medicinal da maconha desde os anos 50.
A esclerose múltipla atinge 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, não existem dados concretos sobre o número de pacientes no país, mas estima-se que haja ao menos 35.000 casos.
domingo, 7 de novembro de 2010
Diagnóstico malfeito banaliza tratamento para déficit de atenção
Venda de remédios para a doença aumentou 1.616%; especialistas apontam dificuldades no diagnóstico
O medicamento usado no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) - vendido como Ritalina (Novartis) e Concerta (Jassen-Cilag) - está entre as substâncias controladas mais consumidas no País. Entre 2000 e 2008, o número de caixas vendidas passou de 71 mil para 1,147 milhão - aumento de 1.616%. A alta no consumo suscitou questionamentos sobre a banalização do uso do remédio à base de metilfenidato entre crianças e adolescentes.
Alguns especialistas apontam a demanda reprimida por um tratamento que existia e ainda existe no Brasil como causa do inchaço nas vendas. Para outros, é resultado de diagnósticos malfeitos - crianças que não se encaixam no padrão de aprendizagem e comportamento estariam sendo "domadas" à base de psicotrópicos.
O que alimenta ainda mais a polêmica é a dificuldade de diagnosticar o TDAH. Não há um exame definitivo. Os médicos se baseiam em relatos subjetivos de pais e professores sobre o comportamento da criança e num questionário com 18 sintomas relativamente comuns entre jovens, como falar em demasia, interromper conversas e dificuldade para esperar.
"O diagnóstico deve ser feito por um médico treinado e envolve outros especialistas, como psicólogo, psicomotricista e fonoaudiólogo. É preciso descartar outros problemas que afetam o comportamento e o aprendizado", explica o psiquiatra infantil Francisco Assumpção, da Universidade de São Paulo (USP). "Mas muitas vezes os critérios são preenchidos pela própria escola ou até mesmo pelos pais, que me procuram apenas para pedir o remédio."
O analista legislativo Luís Fernando Leite dos Santos conta que sua filha de 16 anos foi recentemente diagnosticada como portadora de TDAH por ter apresentado alterações de humor e queda de rendimento no último bimestre escolar. "Embora o relatório da escola afirmasse que o nível de dispersão nas aulas não era tão relevante, o médico receitou o remédio e ainda disse que eu poderia pegá-lo no posto de saúde", diz o pai, inconformado.
No caso do garoto João Petrika, de 12 anos, a simples mudança de escola fez milagres. Há cerca de quatro anos ele foi diagnosticado como hiperativo e ingressou num programa de tratamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Fez terapia e tomou remédios. Mas o desempenho escolar só melhorou neste ano. "Antes ele evitava a escola. Agora que mudou de colégio, tem apenas três faltas", conta o pai Antonio Petrika. Há dois anos sem remédios, João tem outra explicação: "Gosto mais desta escola porque os professores são melhores. Na anterior, gritavam o tempo todo."
O TDAH é um dos transtornos mentais mais comuns em crianças e se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Estudos indicam que a prevalência na população é de 5%. Isso significa que numa sala de aula com 40 alunos, pelo menos 2 teriam a doença. "A dificuldade de aprendizado passou a ser sinônimo de problema com a criança, quando às vezes é da escola", afirma Assumpção.
Pais têm dificuldades de impor limites aos filhos
É na escola, onde a criança desenvolve grande parte de seu processo de socialização, que o uso da Ritalina vem sendo mais percebido. A reportagem ouviu relatos de educadores que confirmam a incidência do uso do medicamento em até 18% dos alunos de uma mesma sala de aula. Para os professores, há casos em que o remédio é realmente necessário - nos de alunos hiperativos -, mas a banalização é uma realidade. "A causa é o imediatismo de muitos pais e neurologistas, que querem medidas rápidas", afirma Raquel (nome fictício), de 48 anos, professora de ciências de uma escola particular de classe média alta.
Alguns educadores dizem que o uso indiscriminado do remédio está vinculado à dificuldade que algumas famílias têm de impor limites aos filhos. "É comum ouvirmos ‘não sei o que faço com meu filho. Ele toma medicação, mas não sei o que fazer’", conta Isadora (nome fictício), de 43 anos, professora de história do ensino fundamental. "Ouço pais falando ‘meu filho tem 13 anos e mudou muito. Vou levá-lo ao neurologista e ao psiquiatra.’ Ele tem 13 anos, é claro que mudou: é a idade de ser agitado", diz a professora de história Larissa (nome fictício), de 32 anos. "Se criassem uma escola que ensinasse os pais a educarem as crianças, seria um sucesso. Muitos priorizam a carreira e, quando percebem mudanças nos filhos, decidem levá-los ao médico."
As escolas ouvidas afirmam não ser contra o medicamento - o desafio é mostrar aos pais que é possível tentar métodos menos invasivos, como terapia e atividades físicas.
Esse foi o caminho escolhido pelo pediatra da Unifesp José Artur Medina, pesquisador do TDAH, que convive com o transtorno na família. Além dele próprio, seu pai e seu filho são portadores. "Já fui reprovado, preso, me envolvi com drogas. Cheguei a experimentar Ritalina e notei um ganho cognitivo. Mas muda a personalidade", diz. Para o filho de 5 anos, Medina receitou suplementos de ômega 3 e aulas de judô. Exercícios físicos, diz ele, estimulam uma parte do cérebro menos desenvolvida em crianças com TDAH e isso proporciona grande melhora.
A pediatra Maria Aparecida Moyses, da Universidade Estadual de Campinas, também critica a padronização do pensamento e aprendizado. "Nós não somos assim."
O medicamento usado no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) - vendido como Ritalina (Novartis) e Concerta (Jassen-Cilag) - está entre as substâncias controladas mais consumidas no País. Entre 2000 e 2008, o número de caixas vendidas passou de 71 mil para 1,147 milhão - aumento de 1.616%. A alta no consumo suscitou questionamentos sobre a banalização do uso do remédio à base de metilfenidato entre crianças e adolescentes.
Alguns especialistas apontam a demanda reprimida por um tratamento que existia e ainda existe no Brasil como causa do inchaço nas vendas. Para outros, é resultado de diagnósticos malfeitos - crianças que não se encaixam no padrão de aprendizagem e comportamento estariam sendo "domadas" à base de psicotrópicos.
O que alimenta ainda mais a polêmica é a dificuldade de diagnosticar o TDAH. Não há um exame definitivo. Os médicos se baseiam em relatos subjetivos de pais e professores sobre o comportamento da criança e num questionário com 18 sintomas relativamente comuns entre jovens, como falar em demasia, interromper conversas e dificuldade para esperar.
"O diagnóstico deve ser feito por um médico treinado e envolve outros especialistas, como psicólogo, psicomotricista e fonoaudiólogo. É preciso descartar outros problemas que afetam o comportamento e o aprendizado", explica o psiquiatra infantil Francisco Assumpção, da Universidade de São Paulo (USP). "Mas muitas vezes os critérios são preenchidos pela própria escola ou até mesmo pelos pais, que me procuram apenas para pedir o remédio."
O analista legislativo Luís Fernando Leite dos Santos conta que sua filha de 16 anos foi recentemente diagnosticada como portadora de TDAH por ter apresentado alterações de humor e queda de rendimento no último bimestre escolar. "Embora o relatório da escola afirmasse que o nível de dispersão nas aulas não era tão relevante, o médico receitou o remédio e ainda disse que eu poderia pegá-lo no posto de saúde", diz o pai, inconformado.
No caso do garoto João Petrika, de 12 anos, a simples mudança de escola fez milagres. Há cerca de quatro anos ele foi diagnosticado como hiperativo e ingressou num programa de tratamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Fez terapia e tomou remédios. Mas o desempenho escolar só melhorou neste ano. "Antes ele evitava a escola. Agora que mudou de colégio, tem apenas três faltas", conta o pai Antonio Petrika. Há dois anos sem remédios, João tem outra explicação: "Gosto mais desta escola porque os professores são melhores. Na anterior, gritavam o tempo todo."
O TDAH é um dos transtornos mentais mais comuns em crianças e se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Estudos indicam que a prevalência na população é de 5%. Isso significa que numa sala de aula com 40 alunos, pelo menos 2 teriam a doença. "A dificuldade de aprendizado passou a ser sinônimo de problema com a criança, quando às vezes é da escola", afirma Assumpção.
Pais têm dificuldades de impor limites aos filhos
É na escola, onde a criança desenvolve grande parte de seu processo de socialização, que o uso da Ritalina vem sendo mais percebido. A reportagem ouviu relatos de educadores que confirmam a incidência do uso do medicamento em até 18% dos alunos de uma mesma sala de aula. Para os professores, há casos em que o remédio é realmente necessário - nos de alunos hiperativos -, mas a banalização é uma realidade. "A causa é o imediatismo de muitos pais e neurologistas, que querem medidas rápidas", afirma Raquel (nome fictício), de 48 anos, professora de ciências de uma escola particular de classe média alta.
Alguns educadores dizem que o uso indiscriminado do remédio está vinculado à dificuldade que algumas famílias têm de impor limites aos filhos. "É comum ouvirmos ‘não sei o que faço com meu filho. Ele toma medicação, mas não sei o que fazer’", conta Isadora (nome fictício), de 43 anos, professora de história do ensino fundamental. "Ouço pais falando ‘meu filho tem 13 anos e mudou muito. Vou levá-lo ao neurologista e ao psiquiatra.’ Ele tem 13 anos, é claro que mudou: é a idade de ser agitado", diz a professora de história Larissa (nome fictício), de 32 anos. "Se criassem uma escola que ensinasse os pais a educarem as crianças, seria um sucesso. Muitos priorizam a carreira e, quando percebem mudanças nos filhos, decidem levá-los ao médico."
As escolas ouvidas afirmam não ser contra o medicamento - o desafio é mostrar aos pais que é possível tentar métodos menos invasivos, como terapia e atividades físicas.
Esse foi o caminho escolhido pelo pediatra da Unifesp José Artur Medina, pesquisador do TDAH, que convive com o transtorno na família. Além dele próprio, seu pai e seu filho são portadores. "Já fui reprovado, preso, me envolvi com drogas. Cheguei a experimentar Ritalina e notei um ganho cognitivo. Mas muda a personalidade", diz. Para o filho de 5 anos, Medina receitou suplementos de ômega 3 e aulas de judô. Exercícios físicos, diz ele, estimulam uma parte do cérebro menos desenvolvida em crianças com TDAH e isso proporciona grande melhora.
A pediatra Maria Aparecida Moyses, da Universidade Estadual de Campinas, também critica a padronização do pensamento e aprendizado. "Nós não somos assim."
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