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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Decisão inédita da imigração tira mãe e filho autista da fila de deportação

Wilson e a mãe Valquires, lutaram por mais de 20 anos para permanecerem nos Estados Unidos.
 


Valquires Geraldes com o filho Wilson Geraldes, que sofre de autismo, sofreu por mais de duas décadas o temor de ser deportada.

Um pesadelo que rondou uma família brasileira de Austin (TX) por mais de duas décadas chegou ao fim no mês passado. Depois de praticamente ver a deportação de perto, Valquires Geraldes e seu filho, Wilson Geraldes, 24, vão finalmente poder solicitar o green card. O rapaz é portador de autismo severo e teria sérios abalos na saúde, se tivesse que deixar o país.

A notícia foi publicada no The Californian. Segundo Simon Azar-Farr, advogado da família, um juiz de imigração de San Antonio encerrou o processo de deportação de mãe e filho. “Foi um pesadelo”, disse Valquires, sobre toda a ansiedade vivida durante mais de 20 anos de espera.
Segundo a imigração, Valquires e Geraldes entraram no país em 1987 sem sofrer inspeção, e acusou-os ainda de não ter um visto válido. Os dados constam em um documento sobre o caso, datado de 2008. De acordo com Azar-Farr, os dois já estavam aptos para solicitar o documento de residência permanente. “Eu estava para (ser obrigada a) deixar o país, e estava apavorada. É como um sonho se realizando”, disse a brasileira.


A imigração não costuma comentar casos individuais. Por esta razão, a porta-voz Maria Elena Garcia-Upson não falou sobre a decisão. De acordo com Elaine Komis, do Escritório Executivo para Revisão de Imigração, os processos de deportação não ficam disponíveis para informação pública.



O advogado Azar-Farr também procurou manter a discrição. Disse apenas que o juiz considerou a grave condição de saúde de Wilson, tomando como base razões humanitárias. “O governo deveria ser cumprimentado por ter sido tão sério e cuidadoso neste caso e em seus fatos, e por ter exercido seu poder de forma favorável”, disse ele.

Família em paz



Segundo Farr, os brasileiros jamais deveriam ter entrado em processo de deportação. O profissional acredita que outro advogado tenha errado, ao não perceber que Valquires e o filho poderiam se legalizar através de Wilson, marido de Valquires, o qual é portador do green card desde o ano de 1990. “Você nunca, nunca perde a esperança. Eu tinha esperança porque meus papéis estão em ordem”, disse Wilson pai.
Por causa do autismo, Wilson Geraldes depende dos pais para as necessidades básicas, e nunca pode ficar sozinho. Segundo os médicos, morar no Brasil afetaria sua estabilidade. Azar-Farr disse ainda que seu bem-estar estaria em perigo, pois o Brasil não ofereceria o tratamento médico adequado ao rapaz.
O ICE (imigração) chegou a permitir, por mais de uma vez, a permanência temporária de Valquires e Wilson no país. Através da prática, chamada de deferred action, a imigração decide que não é interesse do público ou do governo deportar alguém de imediato. Segundo uma porta-voz da imigração, para manter os brasileiros no país, mesmo que de forma temporária, foram levados em consideração fatores como impacto na família e dificuldades de tratamento médico no país de origem.
Enquanto comemora a decisão, Valquires lembra que os milhares de dólares gastos com o caso da família seriam o suficiente para comprar uma casa. Bem humorado, o marido dela disse que imagina imprimir os green cards da esposa e do filho em tamanho gigante, para simplesmente contemplar o documento.
Os planos do casal são de solicitar um cartão de Social Security para o filho. Desta forma, Wilson pode participar de programas sociais fora de casa e interagir com outras pessoas.






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